sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Calendário e Profecias Maias - Juízo Final




Todos os anos, turistas de todas as partes do mundo invadem Chichen Itza, a antiga cidade maia na selva da península mexicana de Yucatán, com o fim de assistir um estranho fenômeno. Às 15 horas, nos equinócios da primavera e do outono, o jogo de luz e sobras forma a silhueta de uma serpente sobre uma escada da pirâmide de Kukulcan. Esta silhueta simboliza a serpente descendo do céu para o plano da existência terrestre e entrando no final do dia nas profundezas.


Enquanto desliza pela escada até penetrar na terra, o corpo da serpente se encontra com a sua cabeça esculpida na base da milenar pirâmide. Mas, esse fenômeno seria mais que um ritual religioso?


A Silhueta da Serpente


Para alguns, a serpente é um alerta, entre os muitos que os maias nos deixaram, de uma catástrofe que está prestes a acontecer.


Os pesquisadores não sabem o significado da serpente (Um dos símbolos da casa de Enki, o deus sumério, vindo do planeta Nibiru, era na realidade a serpente - sobre Enki. Foi preciso ter muito conhecimento cientifico, para posicionar a pirâmide de modo a obter esse efeito. Foi erguida há mais de mil anos, e não como atração turística. Muitos acreditam ser um alerta sobre o fim do mundo, que para os maias, não era uma idéia vaga e abstrata, mas um evento muito real e específico. O dia do juízo final para os maias era a destruição total do mundo e de seus habitantes.


Quase todas as religiões falam de um juízo final. A diferença entre a religião maia e as outras, é que o calendário maia, um instrumento de tempo e espaço, menciona a data específica do fim da humanidade.


Como os maias usaram esse calendário para prever fatos futuros, inclusive o fim do mundo, com tanta precisão? Para decifrar essa profecia, precisamos de um breve panorama dessa antiga civilização, cujo povo era tão misterioso quanto a densa floresta em que vivia.


A cultura maia, uma ramificação da civilização olmeca, começou a emergir em torno do ano 500 a.C. Entre 600 e 900 d.C., a civilização maia clássica despontou nos atuais México e América Central.


Os maias clássicos comparavam-se às civilizações antigas do Oriente Médio. Os sumérios, as civilizações mesopotâmicas, os egípcios pré-industriais. Tinham escrita hieroglífica, extensas redes comerciais, arte, cultura e tudo mais.


A cidade de Chichen Itza era o centro religioso, cerimonial e cultural da região. Embora, ainda não utilizassem a roda, os maias adquiriram conhecimento avançado de astronomia, arquitetura e matemática, enquanto as sombras da Idade Média ainda cobriam a Europa.


Os sítios maias tinham observatórios astronômicos. O mais famoso é o de Caracol, em Chichen Itza. Os arqueólogos nos anos 20 e 30 perceberam que se podia fazer observações astronômicas por suas janelas. Faziam previsões baseando-se nos equinócios e nos ciclos de Vênus.


Caracol - Observatório Astronômico Maia


Os maias registraram seu vasto repertório de cálculos astronômicos, inclusive a profecia do fim do mundo e outras previsões em calendários e códices escritos em complexos hieróglifos. Esse conhecimento avançado do tempo e do espaço culminou no projeto e construção da pirâmide de Kukulcan, nome da divindade suprema dos maias. Essa pirâmide é tão extraordinária porque sua estrutura, na verdade, é um calendário tridimensional.


A pirâmide de Kukulcan é um zigurate de pedra de quatro lados que na verdade, é um calendário. Somando os 91 degraus de cada lado com a plataforma, o total é 365, como os dias do ano. O incrível é que os maias ergueram a pirâmide de modo que no equinócio o sol atinja a face norte, criando a sombra de uma serpente gigante.

Pirâmide de Kukulcan


Como os maias adquiriram esse profundo conhecimento do tempo continua um mistério, mas eles atribuíam esse saber a Kukulcan, um deus onisciente que, estranhamente, não tinha nenhuma semelhança com o povo de pele morena.


Descreviam Kukulcan como um homem alto e branco, com longos cabelos, barbas brancas e brilhantes olhos azuis. Tinha o crânio alongado. As mães maias amarravam tábuas na cabeça dos bebês para alongar os crânios (vide artigo neste blog, intitulada “Que a Paz Vos Acompanhe", em que há uma gravura do crânio alongado de um Annunaki). E temos artefatos com essas formas. A questão é quem era Kukulcan: Uma divindade? Um annunaki? Um homem?


Kukulcan viveu em Chichen no século X. Todas as evidências se referem a esse individuo benevolente. Um ser com valores elevados, que passou para as diferentes comunidades em que viveu.


Por volta do ano 1000 d.C., por razões desconhecidas, Kukulcan deixou Chichen Itza e voltou para o mar, de onde muitos acreditam que ele viera. Antes de partir, prometeu ao povo que um dia voltaria, mas isso nunca aconteceu.


Em seu lugar chegou outro homem branco de barba, Hernan Cortez. Quando o conquistador espanhol aportou em 1519, os maias pensaram se tratar da volta do grande líder, Kukulcan. Essa confusão quase levou à destruição da cultura maia.

Hernan Cortez


O impacto da conquista sobre a cultura maia foi devastador. Em 50 anos perderam 90% da população. Por isso, não temos dados, não sabemos que aconteceu na região maia na antiguidade. A destruição cultural foi conseqüência da repulsa que os espanhóis sentiram pelos rituais maias, como o alongamento de crânios infantis para imitar o de Kukulcan e o mais terrível de todos, o sacrifício humano, que eles faziam pois o sol precisava ser alimentado para fazer a passagem pelo céu e sob a terra, como o sol noturno. E o sol se alimentava de sangue humano.


Um bispo espanhol, que escreveu um relato sobre os maias, narrou que as vítimas dos sacrifícios costumavam ser crianças, escravos ou prisioneiros de guerra:


“Antes de seu coração ser arrancado, era levado a corte com grande pompa e um numeroso séqüito. Arrancavam a pobre criatura e rapidamente a deitavam-na sobre uma pedra. Nesse momento, o algoz se aproximava com uma faca de pedra e fazia uma cruel incisão com grande habilidade. Então, como um tigre voraz, arrancava-lhe o coração ainda palpitante. Em seguida, o entregava em uma bandeja ao sacerdote, que ungia as faces dos ídolos com o sangue fresco.”


Sacrifício Humano

Os padres espanhóis declararam essas práticas, obras do demônio. Forçaram os maias a se converter ao cristianismo e destruíram quase todos os registros escritos desse povo, pois eram considerados objetos “demoníacos”, como os códices e livros com hieróglifos que encontraram. Se os códices não tivessem sido queimados, saberíamos muito mais sobre a astronomia, o calendário, a profecia maia e a ideologia que sustentavam. Padres compreensivos conseguiram salvar apenas quatro códices que hoje se encontram em bibliotecas na Europa. Um desses manuscritos é conhecido como Codex de Dresden. Esse texto seria a chave para o calendário e as profecias maias. Para alguns, suas paginas guardariam não só a história futura da humanidade, como a data exata de nosso fim.

Codex (Códice) de Dresden


Os escribas maias redigiram os manuscritos sobre longas folhas de papel, feito com a casca da figueira. Essas folhas que mediam até 7 metros eram cobertas de tinta de cal e depois dobradas como um acordeão.


Se para os padres espanhóis que os destruíram, esses códices com suas cores vivas, imagens exuberantes e hieróglifos complexos eram obras do demônio, para os estudiosos das bibliotecas européias, onde os quatro códices restantes hoje se encontram, esses antigos textos são fonte de um fascínio inesgotável. O mais importante desses manuscritos foi comprado em Viena, em 1739, pelo diretor da Biblioteca Real de Dresden, na Alemanha. Ele o levou para a sua cidade e o deixou na biblioteca, onde ficou intocado, juntando poeira, durante mais de um século. Então, em 1880, um estudioso alemão, chamado Ernst Fostermann, começou a estudar o códice detalhadamente. Com persistência e determinação, conseguiu decifrar os hieróglifos e revelou a visão que os maias tinham do futuro e do universo.



Os especialistas logo descobriram que o códice continha uma série de previsões astronômicas. Os eclipses e os ciclos lunares e venusianos estavam claramente apresentados. Era um diagrama da atividade galáctica, que se estendia por milhares de anos no futuro. Eles também perceberam que o códice apresentava um calendário, mais avançado até mesmo do que os atuais. Dentro desse complexo calendário parecia haver previsões ligadas a diferentes eras históricas. Para entender as profecias maias, inclusive a do fim do mundo, era preciso saber como o calendário se organizava. Não era tarefa fácil. Estudiosos, arqueólogos e epígrafos levaram mais de um século para decifrar as profecias e o calendário no qual elas se baseiam. Ainda incompleto, o minucioso trabalho de decifrar o Codex de Dresden e compará-lo às inscrições maias nos monumentos continua, mas há uma certeza, os maias não apenas calculavam o tempo, como eram obcecados por ele.


Calendário Maia

Outras civilizações se interessavam pelo tempo, mas os maias eram mais meticulosos. Eram muito exigentes e trabalhavam com números altos e isso lhes permitiu atingir altos níveis de exatidão.


A obsessão maia nasceu de uma visão do tempo, muito diferente da nossa.


A maior diferença entre os maias e outros povos, especialmente para nós, ocidentais, é que para os maias e para outros povos do México e da América Central, o tempo era algo que ocorre e volta a ocorrer O tempo era cíclico. Para nós, ocidentais, o tempo é linear, começou em algum ponto, seguiu em frente e continua a avançar. Para os maias, algo que aconteceu no passado, certamente voltará a acontecer outras vezes, continuamente.


Uma mensagem do calendário maia é que nossa vida está contida em ciclos bem mais amplos do que nossa vida individual. Isso nos dá uma perspectiva e nos permite ver a historia como um tipo de rede. O calendário maia pode ter valor porque reproduz ritmos naturais. Sugere que os ritmos e ciclos naturais são reais e muito necessários para a vida.


Com essa visão cíclica do tempo, os maias criaram o que muitos consideram o calendário mais sofisticado, jamais concebido por uma civilização. Complexo e preciso, na verdade são três calendários em um.


O primeiro e mais conhecido é o calendário solar, chamado Haab. Tem 365 dias divididos em 18 meses e 20 dias, mais um curto período de 5 dias, considerado muito desfavorável. Os cálculos dos sacerdotes maias são tão exatos que o Haab é 4 segundos mais preciso do que o calendário usado hoje.


Além do Haab, os maias tinham um calendário cerimonial de 260 dias, chamado Tzolkin.
Tzolkin

O ciclo sagrado de 260 dias consistia de 13 números combinados com 20 dias. Então, 13 vezes 20 são 260. A importância desse calendário sagrado era ser usado pelos maias para entender várias dimensões da experiência humana, por exemplo, baseia-se no período de de 9 meses da gestação humana, aproximadamente 260 dias. Os maias usavam o calendário sagrado para unir os processos divinos e terrenos.


O calendário sagrado mapeava o destino dos maias. Cada dia do Tzolkin tinha um significado especial, ditado pelo seu nome e alinhamento astrológico a ele associado como em um mapa do zodíaco. Os maias usavam o calendário sagrado para batizar crianças, decidir o melhor dia para batalhas e casamentos e prever fenômenos astronômicos como eclipses e os ciclos de Vênus, que é o astro mais brilhante do céu. Às vezes nasce de manhã, às vezes é a primeira estrela da noite. Segue um ciclo de 584 dias. Podiam prever sua posição. Por ser tão brilhante, entrou para o panteão maia.


Os maias combinavam o Haab com o Tzolkin, como duas engrenagens, formando o calendário circular.

Eclipse Lunar
O calendário circular é um ciclo de 52 anos que combina o ano solar com o ciclo de 260 dias. Os números, os dias e os meses só se repetiam a cada 52 anos. O ciclo do calendário de 52 anos equivale ao nosso século. O calendário circular era simplesmente como calculavam o tempo do dia-a-dia. A maioria dos maias tinha sorte se conseguisse sobreviver aos 52 anos do calendário circular. Os maias mais velhos morriam com 80 anos de idade. Não tinham o conceito de século. Todas as suas experiências cabiam no ciclo de 52 anos.
Além do calendário circular, o alemão Ernst Fostermann descobriu que os maias calculavam o tempo com mais um calendário, o de conta longa. Esse sistema era central para o conceito maia de tempo. Foi a partir desse calendário que os maias calcularam o fim do mundo e fizeram outras previsões.


A conta longa media o tempo transcorrido desde a mítica origem dos maias, transcendia o tempo de vida de reinos e indivíduos. Após anos recolhendo dados astronômicos, arqueológicos e iconográficos, estudiosos calcularam que o calendário de conta longa teria começado em 13 de agosto de 3114 a.C. e terminaria 5125 anos depois, em 21 de dezembro de 2012, o dia do juízo final.


A conta longa contém unidades de tempo chamadas Katuns que equivalem a cerca de 20 anos. Para cada Katun, os maias formulavam uma profecia específica. Os Katuns e suas profecias se repetiriam a cada 260 anos. Um misterioso maia chamado Chalam Balam escreveu o que aconteceria durante esses períodos.


As melhores profecias maias estão no livro de Chalam Balam. Era o nome do sacerdote que previu a chegada dos brancos barbados a Yucatán. Os maias sobrepuseram o ciclo Katun a sua historia e supuseram que se repetiria infinitas vezes.


Por exemplo, o 13 º Katun ocorreu em 1520, quando os conquistadores espanhóis chegaram ao México. Voltou a ocorrer em 1776, período que corresponde às revoluções francesa e americana.
O sacerdote maia Chalam Balam fez a seguinte previsão para o 13 º Katun:


“Será uma época de total ruína, onde tudo se perderá. Será a época do julgamento de Deus. Haverá epidemias e pragas e depois virá a fome. Estrangeiros conquistarão governos e sábios e profetas encontrarão o seu fim.”

As profecias de Chalam Balam estão abertas a interpretações, mas são tão especificas que suscitaram previsões curiosas e até mesmo assustadoras de outros acontecimentos históricos. Por exemplo, o 5º Katun menciona:


“Um tempo de infortúnios, de cisão entre líderes e liderados – o povo perderá a fé em seus líderes, que poderão ser maltratados, até mesmo enforcados. Haverá também cobras em abundância, a fome será grande e poucos nascerão nesse período.”


Guerra de Secessão - 5º Katun


O 5º Katun ocorreu pela última vez no período de 20 anos, que começou em 1855, quando ocorreu a Guerra Civil Americana. A dissolução da União confirma a profecia de que líderes e liderados se separarão e o mais dramático é que o assassinato do presidente Lincoln parece atestar que líderes serão maltratados.

Abraham Lincoln


Os que acreditam na profecia maia se debruçam sobre outros ciclos Katuns e notam estranhas semelhanças entre o passado distante e a história mais recente.


Há dois aspectos muito interessantes nos ciclos Katun que podemos comparar ao presente. Um seria a ocorrência do 8º Katun que parece coincidir com alguns problemas culturais, culturas em desordem, culturas se desfazendo. O último 8º Katun se deu nos anos 60. Ocorrências anteriores do 8º Katun foram devastadoras para os maias. Segundo o livro de Chalam Balam estão entre as piores. O último baluarte maia foi derrubado no 8º Katun, na década de 1690.


Durante o 8º Katun, Chichen Itza, uma das maiores cidades de Yucatán, foi destruída. Muito depois, durante os tumultos da década de 60, assassinatos políticos e a Guerra do Vietnã, levaram a profundas divisões nos Estados Unidos. Estes fatos, aparentemente dissociados, se unem na profecia do 8º Katun.


“Uma época de extermínio e destruição entre os governantes, do fim da cobiça, mas de muita luta. Uma época de se fixar em outro lugar.”


Eventos tão disparatados como Watergate, o escândalo Irã – Contra e a campanha contra a fome na África, parecem unidos na previsão para o 6º Katun, que aconteceu pela última vez no período de 20 anos, que teve início em 1973.


Nixon e o Escândalo de Watergate - 6º Katun

“Uma época de governo mau e enganoso. Muitos morrerão de fome.”


O atual Katun, o número 4, começou em 1993 e terminará em 2012. Durante esse período, segundo Chalam Balam, a divindade suprema retornará a Terra, anunciando o início de uma nova era. O 4º Katun foi descrito por Chalam Balam, como uma época de relembrar o conhecimento em meio à escassez. E da chegada do pássaro Quetzal, Kukulcan. É um prelúdio para as mudanças maiores, que ocorrerão no 13º e 11º Katuns, daqui a muitas décadas. Então, no presente estaríamos no começo da mudança para uma nova era.


Os eventos de 11 de setembro e suas conseqüências desempenham um papel central nas mudanças que acontecerão na nova era que as profecias aludem. 11 de setembro de 2001 corresponde a data de Imox 6 do calendário maia, um dia que representa mudanças, segundo textos antigos. O subseqüente ataque ao Afeganistão aconteceu na data maia de Kiej 6, que significa o ajuste ou o equilíbrio.


World Trade Center


Talvez, o que mais importe no calendário da conta longa seja um tema mais abrangente. Na cosmologia maia há 5 grandes ciclos, cada um com cerca de 5125 anos. Quatro já passaram. (sobre os 5 períodos/Raças Mãe.


Os quatro ciclos anteriores terminaram em destruição. A profecia maia do fim do mundo refere-se ao final do 5º ciclo, o último dia, ou seja o dia 21 de dezembro de 2012.


Portanto, o 5º e atual ciclo, como os anteriores, também terminará em destruição. Se for assim, o que irá desencadeá-la? A resposta pode estar em um raro fenômeno cósmico, que os maias previram há mais de 2000 anos.


Os antigos maias previram que o mundo acabaria no 13º Katun de seu calendário de conta longa. Esta data corresponderia a 21 de dezembro de 2012. Os maias não escolheram essa data de modo arbitrário. Eles a calcularam deliberadamente, usando o avançado conhecimento astronômico que desenvolveram.


A profecia para 2012 baseia-se em um alinhamento astronômico. Em dezembro de 2012, o sol do solstício vai se alinhar com o centro da nossa galáxia, a Via Láctea. É um raro alinhamento cósmico. Acontece uma vez a cada 26 mil anos.


Ao mesmo tempo, ocorre outro raro fenômeno astrológico: uma mudança do eixo da Terra em relação à galáxia. O fenômeno se chama precessão, que também leva 26 mil anos e a data exata em que se dará esse extraordinário alinhamento galáctico será 21 de dezembro de 2012.


Precessão


Como os maias conseguiam prever fenômenos cósmicos 26 mil anos no futuro, continua um mistério, apesar do constante trabalho dos pesquisadores. Sabe-se que, por alguma razão, eles atribuíam grande importância ao ciclo da precessão.


A precessão era uma medida astronômica tão lenta que a consideravam um sistema fundamental no qual embutiam sua história e com o qual se localizavam no contexto do tempo.


Os maias atribuíam muita importância a esse raro alinhamento que não só marcava o dia da aniquilação, como permeava as raízes dessa cultura.


Para saber o significado desse alinhamento cósmico, temos de estudar os textos sobre o mito da criação maia. O Popol Vuh, ou o mito dos heróis gêmeos.


O Popol Vuh, o equivalente maia da Bíblia, foi traduzido logo após a conquista espanhola, no século XVI. Segundo esse texto, a fenda escura na Via Láctea era a entrada para o reino do além, uma porta para o mal. É com o centro dessa mesma fenda que o sol vai se alinhar em 21 de dezembro de 2012.


Popol Vuh

Segundo o texto sagrado, os senhores das profundezas que habitam a fenda desafiaram o Primeiro Pai, uma mítica figura maia, para um jogo de bola. Ele aceitou o desafio e entrou na fenda escura, mas os malignos deuses traíram o Primeiro Pai e o decapitaram. Seus filhos, os heróis gêmeos, vingaram sua morte ao derrotar as forças das trevas em um jogo épico e assim ressuscitaram o Primeiro Pai.


Existiria uma ligação entre essa lenda maia e a profecia de 2012? No livro sagrado, o nome do Primeiro Pai, Un-Hunapú, assemelha-se ao termo Uan-ahu do calendário maia, que significa primeiro sol. O primeiro sol do novo ano é o sol do solstício de inverno que ocorre em 21 de dezembro.


A história dos heróis gêmeos do Popol Vuh poderia conter mais pistas para decodificar a profecia do juízo final? Os que acreditam na profecia apontam para mais um convincente elo entre o alinhamento galáctico em 2012 e a cultura maia.


Heróis Gêmeos


Na antiga quadra de jogos em Chichen Itza, a maior do gênero em toda a Meso-América, os maias disputavam o mesmo jogo que os heróis gêmeos jogaram contra o senhores do mal, como está no Popol Vuh. Era um híbrido de basquete e futebol, cuja meta era passar uma bola por um aro, usando apenas os joelhos e os quadris. O primeiro time a marcar um ponto vencia.


Quadra de Jogos em Chichen Itza


Um painel talhado em uma parede lateral mostra um jogador sendo decapitado no centro da quadra. Muitos acreditam que esse era o destino do perdedor, mas uma interpretação mais recente sugere que o capitão do time vencedor era sacrificado como uma meritória dádiva aos deuses. No painel o sangue jorra de seu pescoço na forma de serpentes. O jogador decapitado está ajoelhado diante de uma bola, dentro dela um crânio diz as palavras que simbolizam a morte.


Mais do que uma competição atlética, esse jogo seria uma representação dos fenômenos galácticos de 2012 e do final dos tempos? Alguns acreditam que sim.


O simbolismo do jogo é muito interessante em termos do alinhamento que ocorrerá em 2012. Lembremos que no alinhamento de 2012, o sol se aproximará do centro da Via Láctea. No simbolismo do jogo, a bola é o sol, a quadra representa a Via Láctea e o aro é o centro da nossa galáxia. A bola entrando no aro representa o final dos tempos.


Aro no Centro da Quadra


Como possuíam uma astronomia avançada parece plausível que os maias tenham concebido o calendário maia de conta longa de modo a terminar em 21 de dezembro de 2012. Nessa data, a Terra completará um raro ciclo em torno de seu eixo e o sol se aproximará do centro da Via Láctea. Os maias acreditavam que esse fenômeno cósmico desencadearia um cataclismo e o fim do mundo? Eles podem ter deixado pistas em seu texto sagrado e na quadra de jogos, mas ainda não temos uma resposta definitiva.


Não sabemos como os maias viam o final da conta longa. Eles não podem nos dizer. Mas eles se interessavam por finais de períodos. Tanto que nomeavam os períodos segundo os finais. Então, um final como o do calendário de conta longa seria muito importante e alvo de muita atenção.


Talvez a chave para entender o verdadeiro significado da profecia do juízo final, esteja não no cosmos, mas na Terra. Se for este o caso, a queda dos maias pode oferecer pistas tão reveladoras quanto perturbadoras.


Os maias previram que o juízo final ocorreria em 21 de dezembro de 2012, mas exatamente o que acontecerá nesse dia? A ruína da própria civilização maia pode ser um prenúncio. Em 900 d.C, regiões inteiras, ao sul, foram abruptamente abandonadas. A maioria dos avanços técnicos dos maias perdeu-se na historia. Centenas de anos se passariam antes que os maias revitalizassem suas cidades.


Ao norte da península de Yucatán, a civilização maia chegou a um novo apogeu. Primeiro, com Chichen Itza, depois com Mayapan e vários outros centros. Quando os espanhóis chegaram, encontraram uma grande população. Essa população resistiu aos espanhóis até 1542.


O que causou o súbito colapso da civilização maia na região sul?


Essa é a grande pergunta. Na verdade, ninguém sabe a resposta. O Prof. Arlen F. Chase acha que os maias desapareceram devido a questões ideológicas e mudanças políticas e que o calendário indicou a eles que mudanças aconteceriam. E os maias se julgaram incapazes de fazer frente a esses eventos.


Então os maias previram seu próprio fim? O ano de 900 d.C. em que se deu sua extinção, corresponde ao 10º Katun no calendário maia. Segundo o texto do sacerdote Chalam Balam, esse Katun anuncia tempos sombrios:


“Mais uma vez a desgraça se abate sobre a terra. O Katun traz seca e fome, numa época de ocupação estrangeira, mudanças e tristezas.”

A profecia contida nesse Katun, parece transpor o tempo e ecoar no ciclo de 20 anos, em que se deu a II Guerra Mundial, certamente uma época de infortúnios, ocupação e grande tristeza.

Se os maias acreditavam que a história se repetia, segundo os ciclos celestes, é possível que tenham associado a sua ruína a um súbito e catastrófico fenômeno cósmico.


II Guerra Mundial, época de infortúnios, ocupação, tristeza


Uma complexa teoria proposta por um cientista sugere que o aumento de manchas no sol pode ter levado ao aquecimento do clima e provocado secas e fome. Até que essa teoria seja comprovada, cientistas, arqueólogos, antropólogos e historiadores sugerem outras possíveis causas para o colapso, como excesso populacional, exaustão dos recursos naturais e guerras freqüentes.


O declínio dos maias ocorreu por uma combinação de fatores. Os maias chegavam ao fim de um dos períodos Baktun (1 baktun = 20 katuns). Então, podem ter cumprido um apocalipse anunciado. Por outro, lado um dos fatores era a cobiça, pois os reinos se proliferavam. É uma mensagem preocupante para nós. A cobiça pode preceder a queda de uma civilização.


Nesse contexto, a profecia do juízo final, apesar da complexa explicação astronômica que a cerca, pode ser simples: todas as civilizações nascem, prosperam e perecem. Após sua queda, uma nova ordem emerge. De fato, o calendário maia, sugere que depois de 2012, uma nova era pode surgir. Mas, como seria essa era, continua um mistério, embora eu acredite que a Terra iniciará sua transição de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração. Após 2012, o 2º Katun ocorrerá mais uma vez. Talvez, sua profecia. escrita por Chalam Balam, possa oferecer uma pista do que está por vir:


“Para metade haverá alimentos e para outros, infortúnios. É a época em que terminará o mundo de Deus. A época de se unir por uma causa.”

Isso sugere que precisamos parar e pensar no que fizemos no passado e sobre o que estamos fazendo no presente. E como devemos proceder no futuro próximo. A única coisa que nos distingue dos maias, especialmente dos pré-hispânicos é o tempo. Deveríamos estudá-los e aprender com suas profecias para entender melhor nossa sociedade e nosso mundo e esses eventos que estão associados e que sabemos que ocorrerão.


Civilização Maia


Esse é apenas um modo de interpretar a profecia maia do juízo final. Alguns a entendem como um período de reflexão, mas outros a analisam de um modo totalmente diferente. Para eles, a profecia é um alerta que, se ignorado, pode levar a um desastre de imensas proporções.


O calendário avança, forças galácticas entram em alinhamento, a profecia maia se aproxima. O que acontecerá no fatídico dia de 21 de dezembro de 2012? A resposta, segundo os estudiosos que o decifraram, pode estar na última página do Codex de Dresden, em que há a previsão de uma série de fenômenos astronômicos. Ciclos venusianos, lunares, de eclipses. A última página mostra a destruição do mundo pela água.


Dilúvio de Novo?


Em 2012 a Terra será aniquilada por um grande dilúvio, como anuncia o Codex de Dresden? Testemunharemos a aurora de uma nova era? Ou será apenas um dia como qualquer outro? Só o tempo dirá, mas o tempo, como os maias bem sabiam, está se esgotando.


Que no juízo final, tenhamos juízo, afinal.

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